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Um olhar de pranto

Um olhar de pranto

09
Abr17

Fernando

Os anos passaram Fernando, e o meu subconsciente já enterrou algumas memórias no inconsciente para que parásse de sofrer. Só as venho desenterrar para que mais alguém que passe por alguma situação parecida veja e que a possa ajudar.

 
Conheci-o numa bela tarde de verão, na ribeira. Os avós eram de cá e ele vivia em Oeiras.
Depressa se meteu comigo e com a minha amiga e combinamos encontrarmo-nos logo à noite na festa. Era alto de olho claro, wow que excitação era realmente atraente .
Logo à noite encontrámo-nos e conhecemo-nos melhor. Eu ia-me embora naquela noite e ele despediu-se dando-me um inesperado beijo nos lábios.
Não fui para casa pensar nisso. 200 km nos iam separar provavelmente já não o iria ver mais. Infelizmente ou felizmente isso não aconteceu. Trocámos contactos e ele ligava-me todos os dias a contar as suas peripécias do dia a dia até altas horas da madrugada. Um dia disse que me amava e eu não respondi porque amar alguém que nunca mais esteve comigo seria estranho. Daí a uns dias veio ter comigo e eu tive que contar aos meus pais sobre o meu primeiro namorado oficial. Houve berros, discussões-vais ser enganada!-dizia a minha mãe querendo proteger-me de um homem que ela não conhecia. Ele veio apresentar-se cordialmente aos meus pais e eles ficaram surpreendidos. Trouxe-me um ramo de flores e chamou a minha mãe de "mãe". Depressa ganhou a empatia deles e eu pela primeira vez sentia algo forte e tudo isto, este romantismo eu não queria acreditar que estava a acontecer. Os 3 primeiros meses foram perfeitos ele vinha cá visitar-me de vez em quando e falavamos todos os dias. Um dia ele foi visitar uma avó à Madeira e as coisas mudaram. Lembro-me perfeitamente que foi na altura em que houve aquela enorme tempestade de chuva que originou derrocadas e montes de feridos que marcou para sempre os Madeirenses.
Afinal havia outra e ele começou a tratar-me de maneira diferente, ou seja, mal. Gritava comigo por nada, chamava-me de burra e estúpida no meio de uma conversa normal e eu calava-me e ficava sentida por dentro. Depois chorava e tinha vergonha de contar a alguém, o que será que eu estava a fazer mal, já não me acha bonita? Não serei boa o suficiente para ele? Quer dizer depois de o ter apresentado à minha familia e se terem afeiçoado a ele ia deitar tudo por água abaixo? Deixa que isso passa. Mas cá dentro bem no fundo eu sabia que havia outra. Quando veio cá tinha o telemóvel sempre desligado assim como o fez enquanto esteve na Madeira. Mas já nã era o mesmo cavalheiro e romântico que eu conheci. Foi.  E começou a ameaçar-me de bater se eu falasse com outros rapazes. Eu não falava com ninguém mas ele cada vez era mais obcecado com isso e berrava comigo, já não me consigo lembrar de tudo ao promenor mas sei que lhe desliguei a chamada e voltou a ligar e a ligar depois atendi com medo (Oh meu Deus estou com medo dele!) Aí eu lembro perfeitamente o que disse- SE VOLTAS A DESLIGAR-ME O TELEMÓVEL NA CARA EU VOU AÍ E DOU-TE UMA LAMBADA À FRENTE DA TUA MÃE !
Calei-me e chorei- "lá estas tu a fazer-te de vitima outra vez! "-berrava ele - e continuava a berrar e eu em vez de desligar o telemovel fiquei a ouvir até ele se cansar.
A minha mãe perguntou-me o que se tinha passado naquela noite , que eu era uma tontinha por estar ali a ouvi-lo aos gritos e sabiamente me disse: "Quem mais desconfia, sabe aquilo que faz, e não há quem te queira mais bem que eu".
Comecei a ficar doente, infeliz, sentia-me feia, sem voltade de me arranjar acho que até tinha pena de mim mesma. Achava que se terminasse com ele iria acabar sozinha ( que coisa mais aburda como fui pensar isso??) e preferia aguentar porque senão iríamos todos sofrer com a separação. Até ao dia que recebo um mail de uma rapariga a perguntar se eu conhecia o Fernando. Eu respondi, sim namoro com ele. Ao que ela respondeu chocada- Namoram? Namoram desde quando? E eu pensei para mim- pronto já está, já foste descoberto seu c*. -Desde Fevereiro. Ah é que eu namoro com ele desde Abril -estávamos em setembro por isso vejam só o tempo em que o sacana se andava a vangloriar que andava a papar 2 gajas. Ela ligou-me e explicou que viu fotos de nós os 2 juntos e não sei como descobriu o meu contacto. Eu não perdoo traiçoes e sempre lho disse. Durante a chamada comecei a ouvir o Fernando por trás a gritar com ela para lhe dar o telemóvel. A meio da chamada o telemóvel desligou-se. Depois voltou a ligar me a chorar e perguntei-lhe se ele lhe tinha batido e ela começou a gritar com ele pois ele novamente queria interromper a conversa. Depois mais calmamente falamos as 2 e as 2 lhe voltámos as costas nesse mesmo dia, para sempre. E sim foi na tal ida à Madeira que começaram. Nesses minutos tive receio por ela ele estava muito nervoso mas nunca soube depois de chamada o que acabou por acontecer.
Foi um novo começo, um dos mais importantes da minha vida. Quando o Fernando teve oportunidade ligou-me a ameaçar que vinha cá partir-me os dentes e ao meu irmão ( esta do meu irmão nunca percebi mas pronto, acho que ele deve ter ouvido algo que não gostou e começou a desprezar o Fernando sem nunca me dizer nada). Depois ainda recebi um mail do Fernando a dizer porque estava a mentir se já não namorávamos, para o deixar ser feliz. Eu nem lhe respondi... Que jogada tão estúpida, foi ela que o apanhou .... Sem hipótese Fernando. Depois comecei a receber 20 chamadas da mãe do Fernando por dia e tive um pouco de receio que ele viesse cá fazer-me alguma. Mudei de contacto. Fim
Foi um começo complicado até porque a minha mãe não me estava a ajudar com os " bem te avisei", "não quero cá mais homens", "és uma parva, inocente" até ao dia que lhe gritei-Deixa-me!!! Queres que tenha uma depressão??!! Soluçando e sofucando entre o choro e os nervos.
Fui para a universidade e devagarinho fui recuperando até ganhar novamente confiança e comecei a auto valorizar-me- não haverá mais homem algum que me tratará assim- pensei e assim foi. Digamos que o Fernando foi o meio necessário para eu conhecer o principe com quem tanto sonhei. Já perdoei o Fernando há muito tempo mas não significa que alguma vez tenha que voltar a falar com ele. Apesar das suas tentativas eu nunca mais lhe dei conversa.
O Fernando ensinou-me que devemos respeitar-nos um ao outro numa relação senão nunca haverá felicidade nela nem esperança que reste para essa relação. Para quê estar sempre infeliz e continuar com essa pessoa?? Porque temos medo da solidão. Mas mais uma vez eu pergunto-me? Porque nos acomodamos tanto? Muda! Nunca é tarde para mudar! Eu antes achava que o Fernando era demasiado bom para mim e desvalorizava-me. Achava que eu é que era o problema de tudo correr mal. Depois percebi que ele é que tinha problemas!
Aprendi a ser feliz primeiro sozinha e a resolver-me. Parecia uma fénix a renascer das cinzas. E quando estava tão feliz sozinha aparecem 2 rapazes a disputarem-me. Lembro-me na altura que até fiquei aborrecida porque estava a gostar desta nova fase mas um deles mexia comigo e fazia-me rir. Pronto conquistou-me . Devagarinho como que um animal selvagem deixando-se domesticar fui deixando-me levar pelo amor novamente, apesar de todo o trauma já me tinha resolvido bem cá por dentro e estava pronta para arriscar . Claro que foi muito diferente do que com o Fernando, foi com ele que aprendi e bem.
Obrigado Fernando, afinal de tanto mal também fizeste algo de bom.